Pós-Punk: o (anti) gênero musical que remodelou o rock do final do século XX

Se há controvérsias quanto ao surgimento do punk, e até mesmo sobre o que é o punk, quando se trata de “pós-punk”, a coisa se complica ainda mais! Que porra é essa, afinal? Difícil explicar, pois o único ponto difícil (mas não impossível) de ser questionado é que “pós”, só pode ser o que vem depois. Portanto, mesmo que haja antecedentes quanto ao som, só dá para falar de pós-punk como um fenômeno que surgiu depois do punk.

Assim, tudo tercia começado quando o furacão punk começou a “perder força” na Inglaterra e nos EUA, ainda em 1977, ano em que boa parte da juventude (e veteranos do underground também) aderiram à “new wave” ou à “moda punk”.

No entanto, depois que toda aquela agitação foi ingerida, deglutida e expelida pela indústria cultural (grandes gravadoras, televisão, rádio, revistas, moda e por aí vai), a maioria das bandas que se enquadravam no rótulo “punk-new wave”, ou se dissolveu ou adotou novas posturas. Mas algo já havia mudado no universo da cultura pop. O próprio punk começava a se radicalizar e tornar-se cada vez mais independente. Já no início de 1978, surgiam as primeiras bandas com propostas que levariam ao surgimento do Oi! e do Hardcore.

Entretanto, ao mesmo tempo surgiram centenas, milhares, de grupos inspirados pela atitude do punk, especialmente na questão da independência musical e na filosofia “do it yourself”, mas com um som menos agressivo e mais trabalhado, embora nem sempre “comercial”.

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Pere Ubu, uma das maiores influências para o pos-punk

Na verdade, desde a fase embrionária do fenômeno punk / new wave, ou seja, por volta de 1974 e até 76, quando começou a chamar a atenção da mídia e da indústria cultural, já havia grupos que buscavam sonoridades diferentes daquelas do rock’n’roll “tradicional”, com suas guitarras derivadas do blues. Entre esses, dá para citar Pere Ubu, Devo, Suicide, Talking Heads, Television, Throbbing Gristle e mais uma pá deles.

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O Magazine, banda de Howard Devoto (ex-Buzzcocks), o primeiro grupo pós-punk a ter sucesso comercial na Inglaterra

As influências para essas bandas vinham desde a psicodelia garageira dos anos 60 (Virgin Prunes, 13th Floor Elevator, The Seeds, Pretty Things, Love, etc, etc), passando pelo glam rock do T.Rex, Slade e Roxy Music até os experimentalismos do Krautrock alemão, carregado de sintetizadores. Sem contar expoentes como David Bowie (a obra do Joy Division é recheada de referências ao “camaleão”, especialmente do álbum Low) e Lou Reed.

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O Public Image Limited (PIL), em ação, com John Lydon (ex-Johnny Rotten), um dos símbolos da transição do punk para o pós-punk

Nada é mais simbólico para o que viria a ser o pós-punk, do que Johnny Rotten, o ex-vocalista do Sex Pistols, a grande “estrela” do verão punk inglês em 1977, reaparecer em 1978 como John Lydon, à frente de um novo grupo (PIL) e um som totalmente inovador para a época. Ou ainda Howard Devoto, que saiu do Buzzcocks, também se reinventar à frente do Magazine, antes mesmo do PIL.

O Wire, outro grupo punk que ganhara exposição com um dos melhores álbuns de 1977 (Pink Flag), lançou Chairs Missing, seu segundo LP, com uma sonoridade completamente diferente, recheado de tons psicodélicos. O próprio The Clash começava a abandonar a pegada “White Riot / London’s Burning”, em favor de músicas mais trabalhadas e lançou o subestimado Give ’Em Enough Hope.

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Lydia Lunch, vocalista do Teenage Jesus and The Jerks, expoente da No Wave novaiorquina

Paralelamente, grupos que haviam pegado carona na onda punk, mas tinham uma sonoridade “diferente”, começaram a se destacar, como Siouxsie and The Banshees, The Fall, Joy Division, Suicide, The Slits, The Cure, The Soft Boys, Ultravox, Adam and The Ants, The Mekons, Gang of Four, Subway Sect, Comsat Angels, Bauhaus e muitos, muitos outros. Do outro lado do Atlântico, mais precisamente em New York, nascia a “No Wave”, com bandas como Teenage Jesus & The Jerks, DNA e Contortions, além de grupos que se apresentavam regularmente no famoso CBGB começarem a se destacar, entre eles, Blondie e Talking Heads.

Se não tinham a agressividade das guitarras distorcidas e a velocidade desenfreada do punk, essas bandas tinham em comum não darem a mínima para o mainstream (nem todas, é verdade) e produzirem um som bem pouco convencional. Entre 1978 e 1980, por quase toda a Europa, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Japão e até mesmo na América do Sul, surgiram grupos (e artistas solos) com as mais inusitadas propostas e que podem ser enquadrados como parte do universo pós-punk.

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O Joy Division conseguiu catalizar a angústia e o lado sombrio do punk e modelou a sonoridade melancólica do pós-punk inglês

A diversidade de estilos acabou gerando tendências distintas dentro desse ambiente, como o “gótico” (no início, no Brasil, chamado de “dark”), ou então às chamadas Synth Wave e Dark Wave, todos estilos com um som melancólico ou sinistro. Já bandas com um som mais dançantes foram chamadas de “New Romantics”. Outras correntes surgidas ou revitalizadas nessa onda foram o rockabilly e o psychobilly, a música eletrônica, o garage rock, o powerpop e até o reggae e o ska, através do movimento Two Tone.

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Siouxsie and The Banshees, em 1978, grupo precursor do som gótico (ou dark)

De certa maneia, O ambiente pós-punk mudou até o heavy metal. Afinal, a “New Wave Of Britsh Heavy Metal”, que renovou o gênero, foi uma espécie de reação ao punk. Na verdade, os roqueiros dessa tendência que até hoje influencia o metal no mundo todo, buscaram inspiração no punk, mas sem abandonar as referências e a sonoridade do hard rock. Apenas a levaram às últimas consequências, assim como os punks haviam feito com o rock.

Para quem quer conhecer melhor o pós-punk do final dos anos 70 e início dos 80, baixe aqui a coletânea Great Post-Punk A’s, B’s & EP Tracks. São 125 faixas que mostram a variedade e importância do gênero para a música que se faz hoje no mundo todo. Simplesmente indispensável!

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O Bauhaus levou o lado obscuro do rock às últimas últimas consequências, com muita criatividade e experimentalismo

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