A Stiff Records e sua aposta nos alicerces do punk

A Stiff Records não foi um selo dedicado exclusivamente ao punk (bem poucos o foram na década de 70), mas teve papel fundamental na cena londrina. Foi a Stiff que lançou o compacto de estreia da Damned, considerado como o primeiro disco “autenticamente” punk inglês. Claro que há controvérsias a respeito. Mas, foda-se…

A história da Stiff começou no verão de 76 quando Jake Rivera (na verdade, Andrew Jakeman) e Dave Robinson fizeram um empréstimo de 400 libras com o vocalista do Dr. Feelgood, Lee Brilleaux. A ideia era começar um selo independente para lançar discos de bandas londrinas, especificamente, de uma cena então conhecida como “pub rock”, quase ignorada pelas grandes gravadoras da época.

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Capa do primeiro single do Damned (1976), com as faixas New Rose e Help

Jake já trabalhava com os caras do Dr. Feelgood e os havia acompanhado numa turnê pelos EUA. Lá, conheceu o trabalho de pequenas gravadoras (entre elas, a Bomp!, outro selo lendário e fundamental para o punk, em atividade desde 1974) e voltou pra casa convicto de que aquele era o caminho. Dave também atuava no circuito “pub rock” e trabalhava em um estúdio especializado no gênero. Portanto, ambos conheciam bem o underground londrino.

O primeiro lançamento do selo foi o single So it goes / Heart of the city, de Nick Lowe, recém saído do grupo Brinsley Schwartz. A bolacha foi bem recebida pela imprensa musical e a Stiff Records ganhou fôlego. No entanto, os lançamentos seguintes (Pink Fairies, Roogalator, Tyla Gang e Lew Lewis) não foram tão bem, apesar de serem excelentes e hoje reconhecidos como pedras fundamentais do punk, que começava a entrar em evidência.

richellAinda em 1976, a Stiff lançou na Inglaterra outro compacto punk lendário: Richard Hell and the Voidoids, com as músicas Another World, Blank Generation e You Gotta Lose.

Ao contrário de Lee Wood da Raw Records, Jake e Dave, além de gostar muito de bandas de vanguarda, tinham um excelente tino comercial e sabiam promover os discos que lançavam. Faziam cartazes e anúncios nos jornais especializados. O próprio selo era promovido por uma camiseta que tornou-se célebre na época por usar a frase “If it ain’t STIFF, it ain’t worth a fuck”. (Daria pra traduzir mais ou menos para “Se não for STIFF, foda-se”. Marketing de primeira, exposição na mídia e boas vendas. Money!

O primeiro LP do selo, já em 77, também ajudou a escrever a história do punk: o histórico Damned, Damned, Damned. Mas a Stiff apareceria pela primeira vez nas listas dos mais vendidos com Elvis Costello, que rendeu muita grana ao selo. No entanto, Jake resolveu abandonar o barco no final de 77 para fundar a Radar Records e levou com ele Elvis Costello e Nick Lowe (este, produzia boa parte do material no estúdio).

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O golpe foi sentido, mas as boas vendas de outro artista, no caso, Ian Dury, segurou a onda. Mais tarde, o selo lançaria o Madness, o grupo de ska de sucesso mundial que conseguiria manter a Stiff em atividade por muitos anos. Voltando a 77, o Damned, após cinco compactos e o segundo LP, Music for Pleasure, assinou com a Chiswick.

A verdade é que a Stiff, embora tenha dado grande impulso para o punk, preferia bandas “new wave”. As exceções, além dos já citados aqui, foram o Adverts, com o compacto One Chord Wonders, de 77, e o The Members, com o single Solitary Confinement / Rat up a drainpipe, já em 1979. No ano seguinte, a Stiff lançou o LP Live Kicks, do UK Subs, que teria circulado inicialmente como pirata. Depois, a banda negociou com a Stiff o lançamento oficial da bolacha.

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Ainda na área pesos-pesados, a Stiff lançou um dos primeiros singles do Motorhead (Leavin’ here / White Line Fever) e também dois compactos e o álbum New hope for the Wretched, do Plasmatics.

Em 86, porém, a Stiff acumulava dívidas na casa dos três milhões de libras, apesar do valor de seu patrimônio artístico que rende dividendos até hoje. O selo acabou sendo vendido à ZTT Records, que manteve o nome adormecido por mais de dez anos.

Em 2001, a Stiff foi reativada e voltou ao mercado com diversas coletâneas. Em 2007, após 21 anos, voltou a lançar um álbum original, com o The Tranzmitors. Em 2017, foi adquirida, juntamente com a ZTT Records pela Universal Music. O site oficial do selo é o www.stiff-records.com

No Spotify rola uma playlist do box set com quatro CDs lançado em 2007 

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Baixe aqui o LP Skip off school to see The Damned, que reúne os cinco compactos do Damned pela Stiff, mais os singles do Adverts, Members e Richard Hell.

 

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