Cult Maniax: entre o punk e o hardcore

Cult Maniax é (ou foi) um grupo inglês da cidade de Torrington, idealizado pelo vocalista Big Al (Alan Mitchell), o guitarrista Rico Sergeant, o baixista Michael Steer e o baterista Paul Mills. O pico de atividades do culto (os maníacos eram os fãs) foi entre 1980 e 86.

Quando tudo começou, Big Al já era m pouco mais velho que os demais integrantes, sabia tocar violão e era fã de T.Rex, Bowie e Iggy Pop. Assim, jogou essas influências de alguma maneira no som do Cult Maniax. O resultado foi um estilo que transitava entre o HC, o punk rock, com pitadas de rockabilly, psicodelia e um vocal que, algumas vezes, lembra o estilo gótico de Kirk Brandon do Theatre of Hate (eu devia evitar rótulos, mas… foda-se!). Enfim, uma mistura que fez do Cult Maniax um dos grupos mais originais do punk inglês da primeira metade da década de 80.

cultmaniax_1

Os temas das letras também eram bastante heterogêneos. Falavam de problemas locais, drogas, sexo, mulheres decadentes, política, bruxas, demônios, magia negra, etc, quase sempre em tom satírico. Em resumo, autenticidade era a principal característica deles.

O primeiro compacto, Black Horse (81), gerou uma grande polêmica em Torrington. Na faixa que dá nome ao disco, a banda critica e, obviamente, ofende o prefeito da cidade, proprietário de um pub chamado Black Horse. O local era um espaço para novas bandas, quase um centro cultural para a juventude local. Mas depois da divulgação da música, o Cult Maniax foi proibido de tocar por lá e os punks eram barrados sempre que tentavam adentrar com trajes “típicos”. Mas é claro que o fato de os shows do Cult Maniax invariavelmente terminarem em confusão pesou um pouco também.

Para apimentar o caldo, a suprema corte do país acatou um pedido do tal Lord e todas as cópias do single foram recolhidas e destruídas, assim como a gravação original. No entanto, cerca de 200 cópias já haviam sido vendidas e foi isso que restou. No fim, a confusão rendeu fama à banda no país todo.

cultmaniaxlive

Em 82, já com Paul “Foxy” Benett no lugar de Sergeant na guitarra, saiu o clássico single com as faixas Blitz e Lucy Looe. A primeira com a tradicional temática antiguerra das bandas hardcore da época. Já a segunda é um punk com pegada rockabilly e uma letra altamente sacana.

Na seqüência, ainda em 82, lançaram o terceiro compacto, com American Dream Black Mass. A primeira um tema político e a segunda uma brincadeira com bruxas e rituais de magia negra. A produção dos dois primeiros compactos deixa muito a desejar, mas assim mesmo foram estes discos que fizeram a fama do CM no circuito punk / HC da época.

Já famosos na Inglaterra, enfim, gravaram um LP, em 1983. O que poderia ter se tornado um dos maiores clássicos do punk, entretanto, foi uma grande decepção. Não pela banda, que continuava fazendo um sonzaço, porém, o álbum Cold Love não teve uma boa divulgação e a produção deixou a desejar, especialmente por tentar “suavizar” a agressividade do som deles. Uma pena.

Não é um disco ruim (certamente, superior a muita coisa), entretanto não mostrou toda a genialidade da banda. A responsabilidade pela cagada foi da Phonogram. O disco foi gravado em Londres e, como ficaram duas semanas em estúdio, resolveram descansar um pouco antes de retornarem para fazer a mixagem. Nesse meio tempo, o estúdio achou que poderia fazer a mixagem sem eles e a Phonogram não quis bancar mais tempo de estúdio.

Mas… vida que segue e o Cult Maniax ainda lançaria dois grandes singles: o festivo e genial Full of Spunk, com três faixas na mesma linha de Lucy Looe, ainda que sem todo o brilhantismo desta, e o satírico The amazing adventures of Johnny the Duck and the bath time blues. Participaram também de uma coletânea chamada A Kick Up the Arse, com dois clássicos: Cities e Drugs, talvez o grande momento do Cult Maniax.

Em 1985, lançaram o que seria último vinil da carreira, Where do we all go, um EP de 12” gravado ao vivo. No ano seguinte, apesar da agenda cheia e das relativamente boas vendas para uma banda independente, já haviam perdido o tesão e decidiram colocar ponto final no culto dos maníacos. Lendários.

Para conhecer esse lendário grupo, baixe aqui uma coleção de (quase) tudo o que ele fez em estúdio e aqui uma rara (e excelente) gravação ao vivo com 16 faixas

Recentemente, Big Al regravou faias antigas e novas e colocou no Bandcamp. Confira:

Curiosidades

  • Em 87, o Cult Maniax fez um breve retorno com outro nome, The Vibe Tribe, e lançou um compacto, hoje raríssimo, com o título Skylark Boogie. Mas não deu em nada.
  • Nos anos 90, Mills e Big Al tocaram juntos no Sweet Thangs, banda que lançou apenas um CD single auto-intitulado.
  • Big Al ainda está mandando ver em Torrington. Ele fez dupla com um maluco chamado Math Trengove, com o sugestivo nome The Free Born Men. São músicas com letras bem politizadas em cima de um som que poderia ser descrito como country blues, seja lá o que isso for. Atualmente ele se apresenta à frente do Big Al and The Wild Strawberries, na mesma linha country-blues-folk.
  • Paul Mills também manteve-se no circuito musical. Após o CM, formou o The Whirliebirds e participou do The Desperate Men. Nada que tenha tido grande repercussão como os Maniax.
  • Apesar do fim oficial em 1986, nos últimos 30 anos o Cult Maniax fez diversas apresentações de reunião, sempre com Big Al e Mills. Paul Bennet seguiu outro caminho: é membro do poder judiciário de Torrington, o mesmo que causou tantos problemas para a banda no início da carreira!
  • Entre as muitas histórias de uma banda que fazia uma média de três apresentações por semana, sempre chapados, ficou famosa uma em que eles abriram para o Anti Nowhere League. No caminho para o show, pararam a van para mijar e viram uns cogumelos “mágicos” na beira da estrada. Comeram, lógico. Na segunda música, Paul achou que era o próprio Pete Towshend e acabou com a guitarra. Como não tinham outra, usaram uma emprestada, mas o som ficou péssimo e alguns skins (por que sempre eles?), irritados, iniciaram um quebra-quebra geral.
  • Outra passagem com final semitrágico foi um show que não aconteceu em Plymouth. A van da banda quebrou e eles alugaram um caminhão aberto para levar a trupe e os equipamentos. No caminho, após uma freada brusca, o caminhão saiu da estrada e tudo o que estava na carroceria saiu voando, inclusive pessoas. Claro que não houve show e muita confusão em Plymouth pela ausência da banda.

 

 

Sua opinião é importante

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Send Back My Stamps!

Metal History Through Fanzines

Almanake da Nemeton Kieran

... falando um pouco de tudo...

Sequela Coletiva

Blog dos sequelados para postagem de idéias e impressões a respeito de praticamente tudo

PEQUENOS CLÁSSICOS PERDIDOS

A MÚSICA NOS MOVE!

The File Cabinet Of Curiosities

A Vernacular Culture Compendium (which may exceed a single file cabinet), presented by the Conglomerated League of Folklore Inquirists, Affiliate No. 67, under the Charter of the Int. Committee for Folkloric Knowledge, Enhancement, and Preservation.

Reclaiming History: An Archive of Black Hardcore and Punk

Photographs, Flyers, and Zine Clippings that Color Between the Lines of History

juveniledelinquentmusic

Hi NRG ROCK'N'ROLL!!!!!!!!!!!!!!!

Magic Pop

rock and roll media

PBPR

Paperback Punk Rock

The Coming Anarchy

Indian Anarchist Federation's Blog

Liberty and Anarchy

Anti-State, Anti-War, Pro-Market

Anarchy Action

Anarchy Action

What's So Special About Music Anyways?

Witty opinions on great music

Which Side Are You On? A History of Punk Politics

A Visual Archive of Punk-Related Socio-Political Events

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close