(Impatient) Youth, o som certo na hora errada

De volta ao mundo das bandas desconhecidas e não reconhecidas, o Factor Zero relembra o (Impatient) Youth, da cidade de Vallejo, ao norte de San Francisco. Com um som melódico recheado de referências sessentistas, o (I.)Y. ajudou a pavimentar o caminho para o um estilo de punk que na década de 90 se popularizou com bandas como o Green Day.

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O (Impatient) Youth com Bill Martin na guitarra, Paul Casteel no baixo e Chris Coon na bateria, no palco do Geary Street Theatre, em San Francisco, 1978

O (Impatient) Youth conviveu e dividiu palcos com The Dils, Avengers, Sleepers e Dead Kennedys, entre outros. No entanto, jamais conseguiu se firmar entre as bandas consideradas de “primeira linha” (odeio categorizações, afinal música é gosto pessoal, totalmente subjetivo). O principal motivo é que estava no olho do furacão HC que passou pela Costa Oeste dos EUA, mas fazia um som melódico, que se popularizaria anos depois, quando a banda já não existia.

Primeira encarnação

As raízes do (I.)Y. estão no ainda mais obscuro grupo de rock Faze, que tinha em sua formação o guitarrista e vocalista Bill Martin e o baterista Chris Coon. Os dois, influenciados pelas bandas pioneiras do punk da Costa Oeste norte-americana, deixaram o Faze para fazer um som mais agressivo.

No início, o baixista era um cara chamado Michael, que logo seria substituído por Paul Casteel, que empresariava o grupo. Essa primeira encarnação do (I.)Y. durou pouco mais de um ano, quando Paul e Chris resolverem sair e formar o Woundz (com Paul trocando o baixo pelos vocais).

Segunda encarnação

Bill Martin, que era o verdadeiro fundador do grupo e quem compunha as músicas, deu sequência ao trabalho com Mark Anderson no baixo e Christopher Fisher nas baquetas. Com essa segunda formação, o (I.)Y. conseguiu um pouco mais de exposição, já que a música Praise the Lord and Pass the Ammunition foi incluída na histórica coletânea Not So Quiet in The Western Front. O disco, um álbum duplo, apresentou ao mundo uma então nova safra punk californiana (e de Nevada). São 47 bandas, entre as quais Dead Kennedys, Social Unrest, 7 Seconds, Vicious Circle, M.I.A. e Pariah. Além disso, o álbum vinha acompanhado da edição zero da revista/zine Maximum Rock’nRoll, publicação que marcou época no início dos anos 80.

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Foto da capa do excelente EP Frontline

Por outro lado, talvez em consequência da explosão do hardcore, o som mais melódico do (I.)Y. não chamou a atenção. Além disso, nunca conseguiram um bom contrato ou uma boa produção. Enquanto estiveram em atividade, além da faixa da Not So Quiet…, lançaram apenas um compacto, com seis faixas e chamado simplesmente (Impatient) Youth, patrocinado totalmente pela própria banda, que fez suas últimas aparições em 1981. Antes do fim, ainda lançaram um split de 7″ com o Mutants, chamado ’78 on 45, no qual aparecem com duas faixas ao vivo.

 

Vida após morte

Em 1990, o selo alemão Lost and Found resgatou gravações antigas do grupo e lançou o EP Frontline, com quatro faixas. No embalo, ainda sairia o LP Don’t Listen, com 16 músicas. Uma merecida homenagem póstuma, curiosamente realizada do outro lado do Atlântico. Aliás, não consigo entender porque o (I.)Y. não teve reconhecimento em sua terra natal. A banda era bastante criativa, com ótimas letras e atitude.

Depois desses lançamentos da Lost and Found, Bill Martin (desta vez, como Billy Ray Martin) tentou ressuscitar o grupo ao lado de sua esposa, Suzy Mae Martin, e do baterista Curt Anderson, que produziu o maxisingle All for Fun, com cinco faixas (nunca ouvi este disco, mas sempre li que é bem fraquinho…). Não deu em nada e a terceira encarnação também naufragou.

Com tantas “reuniões” que andam ocorrendo por aí, é possível que uma quarta apareça. Difícil será conseguir recuperar a energia original das duas primeiras fases (na verdade, uma só, com duas formações diferentes).

Baixe aqui o o LP Don’t Listen e o EP Frontline

Curiosidades

  • O grupo deveria abrir para o The Clash, no giro norte-americano da London Calling Tour, mas na última hora o produtor da turnê, Bill Graham, comunicou à banda que não tocariam, sem maiores explicações.
  • Depois do Woundz, Paul Casteel fundou o Black Athletes. Já Chris Coon, tocou com o No Alternative. Os dois ainda estiveram juntos no House of Wheels. Ambos se mantêm em atividade. Recentemente, Paul cantou em uma das muitas aparições do Negative Trend. Longe do punk rock, Chris lançou um disco solo em 2008, chamado License to Departure, recheado de teclados, mais para o jazz ou “art-rock”.
  • Muita gente pensou que Praise the Lord… fosse uma versão punk de uma famosa canção de guerra, feita por aviadores-combatentes dos EUA durante a II Guerra Mundial, mas a letra de uma não tem nada a ver com outra, só o título.

Praise the Lord original:

Down went the gunner, a bullet was his fate
Down went the gunner, then the gunners mate
Up jumped the sky pilot, gave the boys a look
And manned the gun himself as he laid aside The Book, shouting
Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition and we’ll all stay free!
Praise the Lord and swing into position!
Can’t afford to sit around and wishin’
Praise the Lord we’re all between perdition
and the deep blue sea!
Yes the sky pilot said it
You’ve got to give him credit
for a son-of-gun-of-a-gunner was he, shouting

Praise the Lord we’re on a mighty mission!
All aboard, we’re not a – goin’ fishin
Praise the Lord and pass the ammunition and we’ll all stay free!

A versão do (Impatient) Youth:

Praise the Lord and pass the ammunition! (3x)
God is on our side…

Battling over the book, slaughtering over the psalms
Onward Christian soldier with your sword and cross
Putting the fear of god into heathen flesh
The blood easily washed off of the Christian hand
Cleansed in the river of lies promise of salvation
From the mouth of madmen’s interpretations
Don’t forget the golden rule
The man with the gold is making the rules

Praise the Lord and pass the ammunition! (3x)
God is on our side…

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