Raw Records, um selo punk por excelência

LeeinSpacewardstudios
Lee Wood, o idealizador da Raw Records

Lee Wood é um desses punks de nascimento. Nos anos 60 curtia bandas de garagem e tocou em grupos obscuros como The Antlers, The Pype Rhythms, The New Generation, The Sex, e LSD. Por volta de 1973 montou uma loja de discos em Cambridge chamada Remember Those Oldies, na qual vendia raridades garageiras e singles de bandas tão conhecidas quanto aquelas em que tocou.

Quando a cena punk / new wave começou a nascer, ele foi um dos primeiros a vender os compactos independentes que começavam a pipocar. Logo pensou em montar um selo, inspirado na Chiswick e Stiff Records, alguns dos primeiros selos dedicados à então “nova onda” musical.

Depois de assistir a um ensaio do The Users, Lee Wood decidiu que devia produzir um disco para eles. Em maio de 1977 era lançado o single Sick of you I’m in love with today, o primeiro do selo que a princípio se chamaria Raw Power em homenagem ao disco dos Stooges, maior referência do Users. Mas acabou ficando só Raw mesmo.

Nascia assim um dos mais amadores selos independentes da cena punk inglesa. A Raw Records pode não ter sido o mais importante, nem tampouco era dos mais famosos, mas foi um dos que mais entendeu o que acontecia nas ruas. Por outro lado, apesar de ter lançado algumas gemas, não conseguiu sobreviver por muito tempo.

O selo não tinha planejamento algum ou qualquer estratégia de marketing. Lee Wood lançava bandas que gostava e só pensava em gravá-las e colocar os discos nas lojas. Talvez esperasse que o som se promovesse por si, apenas por ser bom. Apesar da boa intenção, a falta de divulgação, além de não colaborar com as vendas, acabou sendo prejudicial às bandas que gravaram com ele, uma vez que perdiam a chance de ter uma boa exposição justamente no “boom” do fenômeno punk na Inglaterra.

O segundo vinil do selo foi na verdade um relançamento. Trata-se do single You Really Got Me Leaving Home, do The Gorillas, de 1974, quando ainda se chamavam Hammersmith Gorillas. Lee Wood comprou os direitos de um selo chamado Penny Farthing porque era fanático pela banda.

Em pouco tempo, a Raw Records começou a receber dezenas de demo tapes, uma vez que em cada esquina e em cada garagem do Reino Unido havia uma banda tocando. Ainda em 77, Wood lançou mais sete compactos e a incrível coletânea Raw Deal.

Além do The Users, entre os principais lançamentos da Raw estavam Killjoys, Lockjaw, Some Chicken, The Unwanted, Matchbox, The Creation e Downliner Sect (os dois últimos, grupos dos anos 60, relançados por Lee Wood).

Evidentemente, o modelo de negócio e o estilo de gerenciamento de Lee Wood gerou mais prejuízo do que lucro e, em 79, ano em que colocou apenas sete compactos no mercado, o selo pediu arrego.

Como as prensagens eram pequenas, os discos da Raw tornaram-se raridades e são bastante procurados por colecionadores. É um selo que não fez muito barulho, mas registrou bandas que talvez jamais gravariam não fosse o fanatismo de Lee Wood pelo genuíno rock de garagem inglês.

Para conhecer o bom trabalho da Raw, reuni em dois arquivos as coletâneas Raw Deal(Oh no it’s) More From Raw e Raw Singles. Como nas três há muitos sons repetidos, fiz uma seleção que totalizou 40 faixas de 15 grupos. O arquivo está em duas partes Parte 1 aqui e Parte 2 aqui. Não dá para falar de punk 77 sem ouvir isso!

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