Pesadelo em Toronto 4 (as raízes do punk canadense): Teenage Head

O Teenage Head, ao lado das bandas citadas nos outros posts da série “Pesadelo em Toronto”, foi mais uma das pedras fundamentas do punk canadense. O grupo foi criado em 1975 por quatro colegas de faculdade: Frank “Venom” Kerr Jr (vocal), Gordon “Lazy Legs” Lewis guitarra, Steve “Marshall” Mahon (baixo) e Nick Stipanitz (bateria).

Eram todos fãs de Iggy and The Stooges, MC5, Flamin’ Grooves e New York Dolls. Assim, antes de terem suas próprias músicas, faziam covers dessas bandas, todas fundamentais para a existência do punk rock. Uma escola e tanto. Inclusive, o nome da banda foi tirado da faixa-título do primeiro álbum do Flamin’ Grooves, Teenage Head, de 1971.teenagehead2

Na verdade, o Teenage Head era de Hamilton, lar de outra banda seminal para o punk, o Forgotten Rebels (mas essa já é outra história). Após ensaiarem por quase dois anos, decidiram mudar-se para Toronto. De casa nova, começaram a tocar no pequeno mas agitado circuito punk local, ao lado das bandas pioneiras já citadas nos posts anteriores da série “Pesadelo em Toronto”.

Em 1978, lançaram o primeiro single Picture My Face / Tearin’ Me Apart pelo selo Interglobal Music. Ainda no mesmo ano fizeram mais um compacto com as faixas Top Down Kissin’ the Carpet. Em ambos mostram a marca registrada do grupo: rock’n’roll acelerado, pesado e letras satíricas. E uma clara influência do Ramones, apesar de terem um estilo próprio e outras referências.

No entanto, a repercussão desses lançamentos ficou restrita ao circuito underground. Mas a banda já criara uma certa fama e, em 78, lançou o primeiro LP, Teenage Head. Pouco depois, justamente quando começavam a ver a fama crescer, a Interglobal faliu. Assim, por muito tempo, os três primeiros discos do grupo ficaram fora de catálogo, sendo relançados apenas nos anos 90, quando iniciou-se a era do CD. É punk rock para ser ouvido no volume máximo. teenagehead3

Em 1980 assinaram com um selo maior, a Attic Records. Com isso puderam investir mais na gravação do segundo LP, Frantic City, produzido pelo ex-guitarrista de David Bowie, Stacey Heydon. O resultado é um som bem mais polido e 99% rock’n’roll. Vale a pena ouvir, mas não tem a pegada punk do álbum de estreia.

Daí em diante, a banda seguiu nessa linha, embora o terceiro LP, de 82, chamado Some Kinda of Fun, seja mais pesado e tenha ficado famoso como “trilha sonora ideal para festas regadas a cerveja”. Daí em diante e principalmente após assinarem com a CBS, que os forçou a mudar o nome para Teenage Heads, distanciaram-se do punk.

teenageheadcoverEm 1986, Frank Venom deixou o Teenage Head para formar o Frank Venom and The Vipers, depois, Frank Venom and The Blue Angels. O vocalista foi naturalmente substituído por Dave “Rave” DesRoches, amigo de infância de todos e já uma espécie de quinto elemento da banda, inclusive com participação em alguns álbuns e turnês.  No entanto, Dave também não ficou muito tempo e saiu para formar o The Dave Rave Conspiracy e, mais tarde, o Rave & Agnelli, com a cantora Lauren Agnelli. Nenhum desses nada a ver com punk.

Em 1996, com a retomada do interesse pelo punk rock (muito obrigado, “grunge” e Green Day), os caras voltaram a explorar a imagem punk, com um som mais pesado, Frank Venom de volta e Mark Lockerbie na bateria. Nessa fase, lançaram o excelente álbum Head Disorder, que acabou não dando em nada e o grupo se desfez mais uma vez por um tempo.

Em 2003, o Teenage Head voltou ao estúdio para algumas sessões com Marky Ramone tocando músicas já lançadas anteriormente. No entanto, a brincadeira só se materializou em vinil cinco anos depois, com o álbum Teenage Head with Marky Ramone. Infelizmente, um ano antes do lançamento do CD, Frank Venom perdeu a luta contra um câncer de garganta.

 

Após shows em homenagem a Frank Venom, o Teenage Head voltou a se reunir e continua em atividade, com Gord Lewis (guitarra), Steve Mahon (baixo), Dave Rave (voz) e Gene Champagne (batera). Sem dúvida, uma das mais influentes bandas dos primeiros anos do punk canadense e que merece ser incluída em qualquer historiografia que se faça em relação ao punk rock no mundo.

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