Pesadelo em Toronto 5 (as raízes do punk canadense): The Curse

A The Curse é candidatíssima ao posto de primeira banda punk formada apenas por mulheres na América do Norte, ao lado das Dishrags (curiosamente também canadenses, mas de Vancouver). E costuma surpreender quem começa a descobrir a real história do punk. As minas se juntaram mais ou  menos na metade o de 1977, ou seja, até então não havia nenhuma banda punk 100% feminina nem no Canadá e nem no vizinho EUA, um dos berços do punk.

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Com Mickey Skin no vocal,  Dr Bourque no baixo, Patsy Poizon na batera e Trixie Danger na guitarra, a The Curse chegou a se apresentar na histórica noite canadense do CBGB em 77, junto o The Diodes, o Teenage Head e o Viletones. No mesmo dia ainda teve The Cramps no palco. As performances da Curse (uma das gírias para menstruação) eram marcadas por atitudes inesperadas de Mickey, como espalhar e atirar restos de comida no público.

can the CurseInfelizmente, foram poucos os registros em vinil deixado por elas enquanto estavam em atividade. O primeiro deles foi o split com o The Diodes. A faixa da The Curse, Raw, não é uma música, e sim xingamentos de Mickey sobrepostos à voz de alguém discursando sobre teoria social. O segundo, foi um compacto com as faixas Shoeshine Boy Killer Bees. Muito bom, punk primitivo de primeira.

Em 78, cerca de um ano depois da apresentação no CBGB, retornaram a New York e tocaram no Max’s Kansas City, que acabou sendo o último show do grupo. Em 1996, o selo Other Peoples Music lançou uma coletânea com tudo o que foi possível garimpar delas. Tem faixas dos compactos, demos e algumas ao vivo. Um registro histórico. Mas teria sido interessante se elas tivessem gravado um LP.

Baixe aqui a coletânea Teenage Meat do The Curse, parte 1 (studio) e parte 2 (demos e ao vivo)

Curiosidades

  • A música Shoeshine Boy é sobre um engraxate de 12 anos que foi violentado e assassinado por três homens em Toronto, em 1977. Após protestos da população, a administração da cidade “revitalizou” a área onde aconteceu o crime. Em consequência, inúmeras casas de massagens, que serviam de fachadas para prostituição, bem como de espetáculos eróticos fecharam as portas. Foi o fim da vida boêmia (e criminosa) da Yonge Street.
  • O primeiro show da Curse era para ter sido com o The Tools, banda do professor de dança da vocalista Mickey Skin. No entanto, ela conheceu Fred Pompeii do The Viletones, que prometeu não só ir ao show como levar toda a banda. Quando souberam disso, os organizadores cancelaram o show do Tools. Pompeii então ofereceu a elas para abrirem um show deles, que acabou sendo a estreia da The Curse, poucos dias depois.
  • Nas primeiras apresentações, Mickey jogou comida estragada no público. A tática chamou a atenção, mas acabou se voltando contra elas, já que a plateia começou a atirar coisas como tomates e ovos (e até um bife!) na banda também. O problema é que elas tocavam com equipamento alugado e quando foram devolver, estava todo sujo…
  • De acordo com Skin, a banda acabou porque após o show no Max’s, as outras integrantes disseram que a ex de seu namorado iria agenciar a banda. Além disso, a The Curse passaria a se chamar True Confessions. Ela não aceitou, mas acabou ficando só.

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