Pesadelo em Toronto 2 (as raízes do punk canadense): The Viletones

 

Se o mundo se assustou com o comportamento dos Sex Pistols em Londres, a sorte é que os holofotes não se viraram para Toronto em 1977. O The Viletones certamente causaria mais indignação. Um artigo do jornal Record Week descreveu o grupo como “a resposta cultural do Ocidente para Idi Amin Da Da” (para quem não sabe, trata-se do ex-presidente de Uganda que tinha manias “estranhas”, como comer carne humana e guardar partes dos corpos de seus desafetos em geladeiras….).

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Tal afirmação tinha como base o perfil do vocalista que no palco – e fora dele, também – destilava raiva, ódio, violência extrema, autodestruição, escatologia e… simpatia pelo nazismo! Sim, Steven Leckie adotou o pseudônimo “Nazi Dog”, usava suásticas e dizia não apenas ser admirador H. Himmler, mas também descendente do número um da SS de Hitler. E orgulhava-se disso.

Mas, para provar que existe “cura nazista” (desculpe o trocadilho), Steven demorou um pouco, mas percebeu o quanto estava sendo ingênuo ao promover a merda nazista. Sua intenção era causar o máximo de repulsa que pudesse nos mais velhos e incitar a violência em seu público. Conseguiu, claro. Mas já na virada de 77 para 78, depois de assistir ao filme Holocausto, se tocou da besteira que estava fazendo e deixou o apelido e a propaganda nazista de lado. Diz a lenda que ele teria sofrido ameaças de morte por parte do serviço secreto israelense, o que facilitou ainda mais a decisão de mudar o discurso…

Nazi Dog era desprezível, mas era também um soco na cara da sociedade canadense e o som do Viletones um chute dolorido no saco da pasmaceira musical que predominava naquele país. Os outros integrantes do grupo eram o guitarrista Freddy Pompeii (R.I.P.), o baterista Mike “Motor X” Anderson (R.I.P.) e o baixista Jackie Death (que ficou pouco tempo, sendo substituído por Chris “Hate” Haight).

O Viletones foi um meteoro destruidor que durou (a formação original) por cerca de dois anos apenas. Nesse período, conseguiu chamar a atenção da imprensa, com vários artigos publicados, inclusive na Europa, sobre a selvageria promovida pelo grupo no palco. Também fizeram uma apresentação no CBGB, ao lado do Diodes, The Curse e do Teenage Head.

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Em vinil e enquanto estava em atividade, o Viletones lançou apenas dois compactos. O primeiro, Screamin’ Fist, saiu em 77, e o segundo, Look Back in Anger, em 78. Pouco depois desse segundo EP, o baixista Sam Ferrara, ex-The Ugly, entrou no grupo e Chris Haight assumiu a segunda guitarra.

Quando o Viletones parecia que ia tomar um rumo, sem muitas explicações, três integrantes originais da banda saíram. Pompeii, Haight e Anderson juntaram-se ao baterista John Hamilton (que tocou com o Diodes em sua fase inicial) para formar o The Secrets, com um som menos agressivo. Steven e Sam, os que ficaram, decidiram não ir em frente.

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Alguns anos depois, em 1983, Steven promoveu um breve retorno do Viletones, que até gravou um álbum ao vivo, chamado Saturday Night / Sunday Morning. No entanto, ficou nisso. A verdade é que Steven não só abandonou o apelido “Nazi Dog”, como também quis transformar o grupo em algo mais viável comercialmente, com uma pegada rockabilly. Não deu, pois não agradou os antigos fãs e nem ganhou novos. Logo, Steven estava só mais uma vez e, desde então, mantém o nome do grupo com lançamentos póstumos e apresentações esporádicas, com e sem os ex-integrantes.

Baixe aqui uma coletânea com o melhor do Viletones na década de 70

Curiosidades

  • No livro Treat me like dirt, escrito por Liz Worth, sobre a cena punk de Toronto da época, Freddy Pompeii e outros ex-integrantes do Viletones revelam a difícil personalidade de Steven, que seria dominador e manipulador. Steven, por sua vez, disse que se sentiu traído com a saída repentina dos outros três Viletones originais.
  • Steven Leckie mantém uma página no Facebook, na qual se descreve como “Poet Punk Rebel Prophet”.
  • Freddy Pompeii faleceu em 13 de maio de 2017 e Mike “Motor X” Anderson, em 24 de novembro de 2012. Que estejam em paz, já que deixaram como legado muito ódio por aqui, na forma de punk rock em estado bruto.

 

 

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