D.O.A., quatro décadas de estrada

Subhumans e DOA são crias do mesmo útero, gêmeos separados no nascimento. Em 1978, após o fim do Skulls e da experiência “Wimpy and The Bloated Cows” em Toronto, Joey “Shithead” Keithley retornou a Vancouver e não demorou saiu a procura de comparsas para montar uma nova banda. Inicialmente convidou um certo Randy Archibald, que tocava com um grupo chamado Looney Tunes, para a bateria, mas como ele não era lá essas coisas, foi atrás de outro e acabou chamando Chuck, irmão caçula de Ken “Dimwit” (do Subhumans).

Mas Randy não saiu da banda, aprendeu a tocar baixo e logo o trio estava ensaiando uma média de quatro horas por dia. Num desses ensaios, realizado em uma espécie de estúdio de segunda mão onde vários grupos tocavam, apareceu um cara com toda a pinta de punk e, depois de vê-los tirar umas músicas, disse: “Caras, vocês são bons. Meu nome é Harry Homo. Vocês serão a banda, eu serei o vocalista, vamos ganhar um milhão de dólares e vamos ser o D.O.A.” Assim, na maior folga. E deu certo! Os caras toparam.

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Primeira fase

A estreia do D.O.A. foi no dia 20 de fevereiro de 78, em um local chamado Japanese Hall, ao lado de várias bandas punks e “new wave”, como era comum naqueles tempos. Depois da estreia ficou claro que o tal Harry Homo era um ótimo frontman, mas não tinha qualquer dom musical, cantava totalmente fora do tempo. Foi descartado e Joey assumiu a função de guitarrista e vocalista. Assim, voltaram a ser um trio. Pouco mais de um mês se passou e começaram a tocar regularmente em outros locais, inclusive no Smilin’ Buddha, uma espécie de CBGB’s ou 100 Club de Vancouver, onde fizeram uma série de apresentações lendárias.

A essa altura, com vários sons compostos por Joey e Chuck, já pensavam em gravar algo. Claro que nem procuraram gravadora. Juntaram tudo o que podiam e produziram sozinhos seu primeiro compacto. D.I.Y. total. Para isso, agendaram nove horas no Ocean Studios. Era tudo oque podiam pagar. A sessão foi realizada com uma bateria alugada e amplificadores que os donos do estúdio garantiram que providenciariam. E, de fato, cumpriram a palavra, só não avisaram que eram Ampegs da década de 50, já bem ruinzinhos.

Some-se a isso tudo uma inexperiência completa em gravações. O resultado foram quatro faixas incrivelmente punks, que se constituíram em Disco Sucks, um dos melhores compactos produzidos no Canadá até hoje. Além da faixa-título, o artefato tinha Nazi Training CampRoyal Police Woke Up Screaming e foi lançado com uma prensagem de apenas 500 cópias. Este disco também marcou a fundação do selo Sudden Death Records, de propriedade deles mesmos.

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A pequena bolacha abriu as portas para a banda. Eles mandaram cópias para alguns fanzines e estações de rádio independentes dos EUA. A seguir, convenceram o pessoal do lendário Mabuhay Garden, clube de San Francisco, a agendar alguns shows. Em agosto de 78 se apresentaram pela primeira vez em solo estrangeiro. Acabaram passando um tempo a mais por lá e iniciaram uma grande amizade com Jello Biafra (Dead Kennedys).

De volta a Vancouver, gravaram o segundo compacto (o excelente The Prisoner 13), desta vez, pelo selo Quintessence Records, que também relançou Disco Sucks. Pouco depois, já em 79, entraram pela terceira vez em estúdio para gravar duas faixas (I Hate You Kill, Kill, This Is Pop) para a coletânea Vancouver Complication, álbum essencial para quem quer conhecer as origens do punk canadense.

Na sequência, fizeram uma turnê pelos EUA, cheia de contratempos e da qual retornaram sem um centavo. Mas fizeram uma certa fama e ganharam experiência o bastante para descobrir que precisavam de alguém para gerenciá-los. A busca por essa pessoa os levou a Ken Lester, um ativista político, cheio de ideias irreverentes. A banda e o empresário iniciaram uma parceria bastante produtiva e duradoura.

Nessa época, lançaram o terceiro compacto, com as excelentes World War 3 Whatcha Gonna Do?, que saiu inicialmente pelo selo deles e depois pela Quintessence, com uma capa diferente.

 

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Breve parada e o primeiro álbum

Depois de finalizarem uma turnê pelo Canadá e algumas cidades dos EUA (durante a qual fizeram um retorno rápido a Vancouver para abrir um show do Clash), aconteceu um dos mais bizarros episódios dessa primeira fase da banda. No retorno da turnê, agendaram um show na UBC (University of British Columbia) que teria a segurança por conta de estudantes de engenharia. Péssima ideia dos organizadores. Punks e engenheiros são coisas que não combinam e, claro, terminou tudo em (mais uma) grande briga. Como vinham de uma maratona de seguidas confusões, acabaram discutindo sério e decidiram dar um fim à banda.

Mas Joey não desistiu, principalmente porque havia começado a gravar o primeiro LP, e, mesmo bastante chateado, procurou outros comparsas e remontou o D.O.A. em poucos dias. Com Dave Greg como segundo guitarrista, Simon “Stubby Pecker” Wilde no baixo e Andy Graffiti na batera, o grupo deu sequência às gravações e poucos meses depois fizeram uma apresentação que não foi lá das melhores. Só que, quem estava na plateia? Randy e Chuck! Depois do show eles conversaram com Joey e resolveram que o D.O.A. original deveria voltar. Azar dos novos integrantes, que da noite para o dia tornaram-se ex-D.O.A.!

Com Joey, Chuck e Randy, o D.O.A. voltou ao estúdio e regravou tudo o que havia sido feito. Foi assim que surgiu Something Better Change, o primeiro LP do grupo, uma pérola do punk rock. Passado algum tempo, Ken Lester insistiu para que Dave Greg se tornasse o segundo guitarrista, algo que considerava essencial para o som da banda. Com isso o D.O.A. tornou-se um quarteto e iniciou uma nova fase, tão produtiva quanto a anterior.

 

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Hardcore

No final de 1980, o D.O.A. começou a gravar seu segundo LP, que receberia o título de Hardcore 81, inspirado por um artigo publicado em uma revista de San Francisco sobre a cena punk da Costa Oeste dos EUA. O texto falava sobre bandas como Dead Kennedys, Avengers, Black Flag e Circle Jerks e incluiu o D.O.A., mesmo eles sendo canadenses. O título do artigo era “Hardcore”. D.O.A. - Hardcore81

O álbum é reconhecido como um dos pioneiros no estilo de punk rock mais rápido e conteúdo político das letras. O momento também era especial. Um novo punk rock explodia no mundo todo, mais espontâneo, mais politizado, mais rebelde e desafiador. E tudo de forma independente, sem o dedo da “grande” mídia, uma cena sustentada por fanzines e pequenos selos, muitos pertencentes às próprias bandas.

O ideal anarquista de autogestão deixava de ser apenas um termo e passava a ser uma realidade, embora muitos grupos sequer soubessem da existência de tal conceito. O hardcore tem o mérito de não ter necessitado de nenhum Malcom McLaren para se impor. E o D.O.A. captou esse momento em um disco de 14 faixas. Até mesmo Communication Breakdown, do Led Zeppelin, soa agressiva e contestadora na versão de Joey e cia. Pode não ter sido o primeiro, mas é ate hoje um dos melhores discos de hardcore de todos os tempos.

Em abril, antes mesmo de o disco ser lançado, eles organizaram a primeira versão da Hardcore 81 Tour, que durou até o mês de junho e durante a qual aconteceram várias brigas entre os integrantes da banda e do staff. Apesar disso, a vida continuava. O álbum tinha boas vendas e a turnê sem fim continuava.

Ainda em 81, no mês de outubro, fizeram o primeiro show em Londres, junto com o Dead Kennedys. Um pouco antes de viajarem lançaram um EP, com o nome Positively DOA, pela Alternative Tentacles, que organizou a apresentação. O disco foi gravado às pressas e apresenta novas versões para Disco Sucks, que se tornou New Wave Sucks, e Fucked Up Baby que virou Fucked Up Ronnie. Completam a bolacha outras três faixas que já estavam no LP.

No retorno de Londres, Randy Rampage já não estava mais satisfeito com a banda e começou a demonstrar total desinteresse, além de aparecer sempre chapado demais para os ensaios e shows. Na noite de ano novo, ele fez a última apresentação como baixista do D.O.A.

 

75% Skulls

A vaga de Randy foi preenchida por Dimwit, que deixara o Subhumans e trocou a batera pelo baixo. Com isso, os três irmão Montgomery estavam envolvidos com o DOA. Chuck na batera, Ken no baixo e Bob como road. Mas não durou muito. Durante as gravações do que seria o terceiro LP, em que resolveram trabalhar novos elementos e ritmos como o reggae. Dimwit e Chuck discutiram feio. Foi a gota d’água para o baterista, que já não estava contente com a banda há algum tempo.

Naturalmente, Dimwit assumiu as baquetas e ficaram de novo sem um baixista. Aí começou a circular uma notícia de que o Subhumans estava por um fio. Isso os animou a procurar o velho amigo Brian “Wimpy” Goble, que aceitou o convite. Com isso, o D.O.A. passava a ter quase a mesma formação do The Skulls. Apenas Dave Greg não estava com os demais integrantes no pioneiro grupo de 1977.

A nova formação manteve a sequência interminável de shows e gravou War on 45, o terceiro LP, que saiu pela Alternative Tentacles e teve uma produção mais aprimorada. O disco mostra um D.O.A. mais maduro, porém, menos agressivo, mas é punk de primeira qualidade, com certeza.

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Em 1983, com a prisão de Gerry Useless (a história está no post sobre o Subhumans), o D.O.A. deu início a uma de suas tradições: fazer discos beneficentes, sempre em prol de causas políticas. A renda do single The Right To Be Wild foi destinada às despesas judiciais para defender Gerry das acusações de terrorismo. Além disso, eles organizaram vários shows para arrecadar uma grana extra (advogados são caros aqui, no Canadá, mais ainda!).

Pouco depois do lançamento deste EP, Dimwit trocou o D.O.A. pelo Pointed Sticks. No lugar dele, entrou Greg “Ned Peckerwood” James, x-Verbal Abuse. Na mesma época, Ken Lester arranjou umas horas no Fantasy Studios, em Berkeley (EUA) para remixar as melhores faixas dos dois primeiros LPs. O resultado é Bloodied but Unbowed, que realmente tem uma qualidade bem superior em relação aos originais e, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma coletânea dos primeiros compactos, mas sim “best of” dos dois primeiros álbuns.

Festa e distanciamento

1984 começou bem para o D.O.A. com a primeira turnê europeia do grupo, durante a qual gravaram uma Peel Session, que resultou no compacto Don’t Turn Yer Back, com quatro faixas. De volta para casa, alguns meses depois, Peckerwood foi convidado a sair pois não estava agradando. Para seu lugar, Dimwit voltou e, de novo, o D.O.A. tinha três ex-Skulls na formação.

O passo seguinte, em meio a muitos shows, claro, foi entrar em estúdio mais uma vez. Para produzir o quarto LP escolheram (ou foram escolhidos) o produtor Brian “Too Loud” McLeod, ex-guitarrista de uma banda de hard rock chamada The Headpins. O resultado foi um distanciamento das raízes punks da banda e uma aproximação com o heavy metal e o hard rock, algo muito comum entre as bandas punks daquele período. Joey considera esse o disco mais rock’n’roll do D.O.A., com toda razão.

A turnê de promoção deste LP foi a mais longa de toda a história da banda, por isso, eles mesmo se referiam a ela como a “Endless Tour”. Foram oito meses na estrada, com 132 shows em 105 cidades diferentes de 13 países. Óbvio que tanto tempo na estrada rendeu boas histórias, mas algum estresse também.

Dimwit acabou sendo a bola da vez e, mais uma vez, o D.O.A. estava sem batera. Para seu lugar, Jon Card, ex-personality Crisis e SNFU foi o escolhido. Na sequência, gravam o quinto LP, True (North) Strong and Free, desta vez com o produtor Cecil English, que iria trabalhar com eles em outros seis discos. A essa altura, o D.O.A. já era um grupo extremamente profissional. Em relação ao punk, conservaram a postura política, a independência total e absoluta, mas o som agora era rock. Dos bons e de muita atitude, mas não punk rock.

Mais um breve fim

As mudanças na formação passaram a ser mais constantes. A saída do produtor Ken Lester foi a deixa para Dave Greg também abandonar o barco. Em seu lugar entrou Cris “Humper” Prohom, ex- Day Glo Abortions. Antes de lançarem um novo álbum com essa formação, saiu um disco ao vivo, chamado Talk-Action=0, que se tornaria uma espécie de lema para o grupo nos anos 90. O

sexto disco (já na era do CD), Murder, mostra um D.O.A. bem mais politizado e engajado em termos de letras, porém, bem menos criativo e enérgico em relação ao som. Depois de mais um tour pela Europa e shows pela América do Norte, em 1990 chegava ao fim a primeira fase do D.O.A., certamente uma banda que ajudou a fazer do punk algo mais que uma explosão acontecida nos agora longínquos anos 70.

Dois anos depois de “acabar”, Joey Shithead e Brian “Wimpy” Goble ressuscitaram a banda, que desde então jamais parou, apesar de ter mudado de formação diversas vezes. Sem dúvida, o D.O.A. é hoje uma instituição do punk rock, mas nem por isso deixaram de se aventurar por outros estilos e incorporaram elementos de reggae, heavy metal, hard rock, etc, em seu som.

Este ano (2018), em comemoração aos 40 anos da banda, Joey Shithead anunciou o lançamento do 17º álbum do D.O.A., chamado Fight Back. E, claro, vários shows serão realizados para marcar a quarta década de vida, situação que não lembra nem um pouco o significado do nome da banda. “Dead On Arrival” é o termo médico usado para aquelas pessoas que dão entrada no hospital já em óbito.

Baixe aqui o excelente Something Better Changeaqui o clássico Hardcore 81. E, nos links, a seguir uma coletânea de singles gravados entre 1978 a 1999 Punk Rock Singles pt 1 e Punk Rock Singles pt 2

 

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O D.O.A. de 2010 com Rampage, Shithead e Floor Tom Jones

Curiosidades

  • O primeiro batera do D.O.A., Chuck Biscuits, tornou-se uma lenda do rock’n’roll. Depois de deixar a banda, ele tocou com o Black Flag, Danzig e Run DMC, entre outros. No ano passado, rolou um boato na internet de que ele teria morrido de um câncer na garganta. Mas o cara tá vivinho da silva. Vive recluso e teria sido ele mesmo quem espalhou o “hoax” sobre sua morte.
  • Joey Shithead já lançou dois CDs solo: Beat Trash (1999) e Rock Steady (2006). Neles, vai do reggae ao punk e inclui várias faixas apenas faladas, em que conta histórias engraçadas de suas múltiplas viagens pelo mundo.
  • Quando Ken Lester começou a empresariar o grupo, o primeiro show que agenciou foi um evento chamado Rock Against Radiation, que, como o nome sugere, era uma manifestação contra a proliferação de usinas nucleares. No evento tocaram, além do D.O.A., Subhumans, K-Tels, Pointed Sticks e Reconstruction. Cerca de três mil pessoas participaram da manifestação, precursora desse tipo de acontecimento no Canadá. No ano seguinte, com organização de entidades oficiais e da Igreja, a passeata teve participação de mais de 50 mil pessoas, mas foi chamada No Nuke, e não Rock Against Radiation.
  • Após abrirem um show do X, em 1980, os caras do D.O.A. cruzaram com David Lee Roth, vocalista do Van Halen. O roadie do D.OA. (Bob Montgomery) pediu que ele desse um de seus gritinhos característicos. Claro que o popstar se recusou, vendo que era gozação. Bob simplesmente o pegou pela garganta, exigiu que gritasse e só soltou depois que ouviu o cara tentar gritar. Alguns anos depois, o D.O.A. abriu um show de David Lee Roth…
  • Em 1989, Joey Shithead e Jello Biafra atuaram no filme Terminal City Ricochet. Na trilha sonora da película entrou uma versão do D.O.A. para Behind the Smiles, do Subhumans, e uma parceria do grupo com Biafra, que deu tão certo que eles acabaram gravando um LP inteiro, chamado Last Screams of The Missing Neighbors.
  • A Sudden Death Records, fundada por eles para lançar o primeiro compacto, está em atividade e abriga diversas bandas.
  • A maioria das informações aqui contidas foram tiradas do livro I, Shithead, a Life in Punk, escrito pelo próprio Joey. Na obra, há muitas (muitas mesmo) histórias engraçadas. Quem puder adquirir não hesite, mas é possível ler uma prévia do livro aqui.
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O D.O.A. de 2018, com Joey Shithead (frente), o baixista Corkscrew (esq) e o batera Paddy Duddy (dir)

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