Slaughter and The Dogs, os roqueiros mais punks de Manchester

Slaughter and The Dogs sempre foi uma das minhas bandas favoritas. O primeiro som deles que ouvi foi Twist and Turn, por volta de 1979, em uma fitinha gravada por alguém da turma da Vila Carolina. De cara, chapei com a agressividade do som, punk rock, com um pé bem firme no rock. O Slaughter é mais uma daquelas bandas que já existiam antes de o punk se espalhar pelo planeta. Os caras faziam um som punk sem saber o que era isso. Por isso, adotaram e foram adotados pela molecada dos cabelos arrepiados. Eram roqueiros punks.

slaughterdogs

Raízes glam

A história do Slaughter começa por volta de 1974 no subúrbio de Wythenshawe, em Manchester, famoso reduto de skinheads (yes, eles tinham skinheads antes de punks!). A formação original tinha o vocalista Wayne Barrett, os guitarristas Mike Rossi e Mike Day, o baterista Eric Grantham, também conhecido por Mad Muffet, e o baixista Zip Bates. Em 75, Mike Day deixa o grupo que permanece como quarteto. Como centenas de bandas da época, o repertório do Slaughter era recheado de covers aceleradas de Velvet Underground, Bowie, T. Rex, etc, e algumas poucas composições próprias.slaughterwayneroxyjan1977dig

Aí, em 1976, BUM!, surgem Sex Pistols, Buzzcocks, Clash e cia. Rapidamente o grupo se identifica com aquela agitação toda e passa a tocar no mesmo circuito. No entanto, nas primeiras apresentações para o nascente público punk, apesar do som à altura, não conseguiram agradar, já que ainda tinham cabelos muito longos e algumas poses tradicionais da cena glitter.

Somente depois de verem alguns shows dos “verdadeiros punks”, adaptaram o visual. No entanto, jamais abandonaram a veia roqueira e também não conseguiam escrever letras realmente engajadas. O próprio grupo afirmou em diversas entrevistas em fanzines da época que não eram realmente punks, mas uma banda de “high energy rock’n’roll”. Com isso, agradavam apenas parcialmente aos punks. Por outro lado, eram completamente ignorados pelos roqueiros, pois eram muito punks!

Breve retorno

O paradoxo de transitar entre o rock e o punk, resultou em péssimas vendas dos três primeiros singles e custou uma completa desilusão dos caras. Em 1978, pouco antes do lançamento do primeiro LP, o clássico Do It Dog Style, a banda acabou. Ironia ou não, depois disso, acabaram sendo reconhecidos e o álbum começou a vender.

Assim, Wayne Barrett decidiu reformar o grupo, com o ex-Eater Phil Rowland na bateria. A volta, entretanto, durou pouco e já em 1980, sem Barrett, substituído por Eddie Garrity (primeiro vocalista do seminal Nosebleeds), a banda passa a chamar-se simplesmente Slaughter e assume um visual mais comportado. No mesmo ano lançam o ótimo, mas não tão punk, LP Bite Back. Ainda tocaram por uns dois anos, mas não sobreviveram à segunda onda punk, bem mais radical.slaughter copy

Slaughter and the Dogs não conseguiu o merecido reconhecimento em seu tempo. No entanto, alguns anos depois do final da banda, com o surgimento do crossover HC/metal, muita gente redescobriu o grupo. Um dos pioneiros da cena HC, o GBH, reconhece o Slaughter como uma de suas maiores influências (regravaram Boston Babies).

Em termos de som, o Slaughter é responsável por alguns clássicos do punk setentista. Músicas como Crancked Up Really High e The Bitch soam agressivas até hoje. O hino Where Have All the Bootboys Gone, composto em homenagem aos skinheads de Manchester (antes da merda neonazi ganhar força) possui um dos melhores riffs de sempre. O mesmo pode ser dito de Boston Babies, pra mim, a melhor música deles. Acho que vale a pena buscar a discografia completa. Por enquanto, baixe o CD Punk Singles Collection, que acredito ser bem representativo de todas as fases da banda.

slaughter

Curiosidades

  • Em 79, após o primeiro fim do grupo, Rossi e Bates, mais Phil Rowland e um certo Billy Duff, formaram o Studio Sweethearts, com um som mais pop, embora pesado. O grupo lançou apenas um single (I Believe / It Isn’t Me), em 1979.
  • Na busca por um vocalista, após a saída de Barrett, chegaram a ensaiar com um tal Steve Morrissey, mas decidiram por manterem-se como um quarteto com Rossi dividindo a guitarra e o vocal. Morrissey costuma negar isso, e ninguém da banda o considera realmente como ex-integrante. 
  • Sempre rolou uma história de que Morrissey chegou a ser integrante do Slaughter, negada pelo vocalista do Smiths. Mas os caras da banda garantem que ele esteve sim por uns dias na banda, mas as diferenças eram muitas para ele continuar.
  • A primeira aparição do Slaughter and the Dogs em vinil foi na histórica coletânea Live at the Roxy, com as faixas Boston Babies e Runaway.
  • Desde a metade da década de 90, Barrett e Rossi fazem turnês regulares acompanhados por músicos diversos. Em 2016 (ou seria 17?), entraram em estúdio e gravaram um novo álbum, o ótimo Vicious. 
  • O Fear and Loathing fanzine, publicou uma entrevista bem bacana com Mick e Wayney  falando dos velhos tempos. Clique aqui pra ver.

DISCOGRAFIA
(em vinil e apenas da época em que a banda original estava em atividade)
Singles

  • Cranked Up Really High The Bitch (Rabid Records, 1977)
  • Where Have All The Boot Boys Gone? / You’re A Bore (Decca Records, 1977)
  • Dame to Blame / Johnny T (Decca Records, 1977)
  • Quick Joey Small / Come on Back (Decca Records, 1978)
  • It’s Alright / Edgar Allan Poe / Twist and Turn / UFO (TJM, 1979)
  • I Believe / It Isn’t Me (DJM, 1979)
  • You’re Ready Now / Runaway (DJM, 1979)
  • East Side of Town One By One (DJM, 1980)
  • I’m the One / What’s Wrong Boy? / Hell in New York (DJM, 1980)

LPs

  • Do It Dog Style (Decca Records, 1978)
  • Rabid Dog – Live (Rabid Records, 1978)
  • Bite Back (DJM, 1980)
  • Live at the Factory (Thrush, 1981)

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