VKTMS, vítimas do destino

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O VKTMS é uma banda californiana, mais precisamente de San Francisco, com vocal feminino e que considero como uma das mais originais da época. Faziam um som pesado, intenso, criativo e melódico, mas com um certo tom de dramaticidade. O tipo de som que vai crescendo a cada vez que se ouve.

Formado em 1978, o grupo começou com o baterista Louis Gwerder e o guitarrista Jay Davis. Depois de alguns ensaios com diferentes baixistas, George Ritter juntou-se aos dois e, por último, a vocalista Nyna “Napalm” Crawford.

Com essa formação, fizeram algumas apresentações e lançaram um compacto duplo, chamado Midget, já em 79. Pouco depois, George deixou o grupo e Steve Ricablanca assumiu o baixo. Essa formação aparece na lendária coletânea SF Underground, um compacto a que já fiz referência no post do No Alternative. A faixa do VKTMS é a criativa Ballad of Pincushion Smith.

vktms2No entanto, após o lançamento deste disco, Jay Davis também deixou a banda (na verdade, desapareceu). Em seu lugar, entrou o guitarrista John Binkov, um músico mais completo, capaz de tocar qualquer estilo de música. Com ele, o grupo ganhou em qualidade, apesar de ter perdido um pouco da agressividade.

Em 1980, o VKTMS já era uma das bandas mais conhecidas na cena californiana. Fizeram centenas de apresentações, muitas ao lado de grandes nomes do punk rock norte-americano, como Ramones, Johnny Thunders, DOA, Agent Orange, Dead Kennedys, etc… Também abriram para diversas bandas inglesas em turnê pelos EUA, como Stranglers, 999, Killing Joke, Bush Tretas e outras bandas .

Nesse período, lançaram um compacto com duas músicas (100% White Girl No Long Goodbyes). A letra da primeira faixa causou polêmica, principalmente após uma crítica da revista Maximum Rock’n’Roll, que acusou a banda de racista. Particularmente, acho que houve um certo exagero da publicação. Me parece que a letra de White Girl é uma sacada bem humorada, sobre uma garota branca que se sente ameaçada pelas minorias. Mas você mesmo pode tirar suas conclusões:

vktms6Well I’m just a little white girl
I get harassed every day
A poor defenseless white girl
Who can’t go out to play
The minorities they all threaten me
I can’t defend myself
I’m a nervous wreck
I’m scared to death
They’ve ruined my mental health
Cuz I’m a blue-eyed, blond haired white girl
And there’s no place left for me
I feel like an alien in my own society
Well I ain’t no Nazi, but ya know
I ain’t no martyr
I think I’m gonna start to
Wear a switchblade in my garter
Cuz I’m 100% white girl and
I ain’t afraid of them
If anybody fucks with me
I’ll just commit mayhem
Cuz I’m a white girl
Yeah I’m a white girl
I’m just a white girl

Entre 1981 e 82, a banda foi para o estúdio e gravou um LP por conta própria, já que não conseguiram contrato com nenhum selo. A ideia era vender um álbum pronto, já que tinham prestígio suficiente. Mas as coisas não foram tão bem como imaginavam e as fitas originais ficaram na gaveta por 12 anos. No verão de 82, talvez desiludidos pela dificuldade de vender o álbum, o grupo se dispersou. Foi o primeiro final.

vktms4Em 1994, Steve Ricablanca conheceu Dave Elias e John Eisenhart, então em vias de fundar o selo independente Dafflespitz Records. Ambos eram fanáticos pelo punk da época do VKTMS, inclusive adoravam a banda. Ao saberem da gravação não lançada, não perderam tempo e recuperaram a fita. No início de 1995, finalmente, veio a luz o lendário álbum, que recebeu o nome da banda.

As boas vendas do disco na Europa incentivaram Steve, John e Louis a procurar Nyna e o grupo voltou à ativa. Em 97, lançaram um EP duplo com material inédito e seguiram fazendo shows. Mas Nyna adoeceu e em 2000 tornou-se mais uma vítima do câncer. Foi o segundo fim, que parecia definitivo, mas em 2012 foram convidados para o festival SF Punk Reunion e desde então têm tocado eventualmente (com mais frequência desde 2016). Para o lugar de Nyna, contam com as vocalistas Terry Morris e Sophie Vogel.

Baixe todas as gravações (antigas) da banda em dois arquivos: aqui a parte 1 e aqui a parte 2. Raridade imperdível.

Curiosidades

  • No tempo em que o VKTMS esteve inativo, Nyna tocou com o Murder e o Smashed Weekend antes de sair do circuito musical no final dos anos 80.
  • Steve e John tocaram com um grupo chamado Vauxhal, mas em 1985 abandonaram o barco. Steve entrou numa escola de culinária e tornou-se chef de cozinha. John, por sua vez, aprofundou-se nos estudos de música e formou-se na área, primeiro pela Universidade de Berkeley, depois, na UC Davis. Diplomado, tornou-se professor universitário. Já Louis, partiu para o campo das artes plásticas e trabalha com materiais não tradicionais na pintura.
  • Steve conheceu os fundadores da Dafflespitz Records enquanto trabalhava em um restaurante chamado Masas. Os responsáveis pela ressurreição da banda eram cozinheiros, como ele.
  • A capa do compacto White Girl / No Long Goodbyes é considerada uma obra de arte, desenhada pelo cartunista Jim Osbourne.
  • Atualmente, Steve Ricablanca ainda trabalha como chef, mas toca projetos paralelos de música eletrônica. John ainda dá aulas de música em uma universidade de Oakland e tem uma banda, chamada D’Jelly Brains, que flerta com o punk garageiro. Louis segue trabalhando com arte abstrata. Nyna, descansa em paz…

 

 

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