Metal Urbain: punk à francesa

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O nome pode enganar, mas não tem nada a ver com heavy metal. O Metal Urbain foi uma das bandas pioneiras do punk rock francês. Com certeza, a mais original. Guitarras distorcidas ao máximo, vocais agressivos, letras politizadas, sintetizadores e bateria eletrônica. Apesar dessa composição não muito convencional, o Metal Urbain conseguia um som extremamente agressivo.

O grupo surgiu em 1976, em Paris, abertamente influenciado pelo furacão punk que sacudia o lado de lá do Canal. A formação original tinha Clode Panik no vocal, Rikky Darling na guitarra e os tecladista Zip Zinc, que permaneceu com a banda apenas por seis meses, mais Eric Débris, que acabou tornando-se o “cérebro” do grupo. Em 77, Rikky deixou o Metal Urbain e, em seu lugar, entraram os irmãos Hermann Schwattz e Pat Luger, ambos guitarristas.

Apesar de ter feito história, o Metal Urbain não durou muito tempo. Em 78, Clode deixou a banda e Eric também se desiludiu com a cena punk francesa, que, igualmente ao que acontecia na Inglaterra, estava em baixa. Ou seja, pouca gente nos shows, nenhuma atenção por parte da mídia e menos ainda das gravadoras.

Em 79, poucos meses depois do final da banda, a revista Best Magazine publicou uma carta de Clode sobre os motivos que acabaram com o grupo. Os acusados são as gravadoras francesas, por terem se recusado a assinar com o Metal Urbain “por causa das letras, da imagem, da música e da atitude”, e a imprensa – “the rock (?) press”, como assinalou. Leia a carta na íntegra no site oficial do grupo. A parte em que ele acusa a imprensa é sensacional.

O fim prematuro acabou deixando o Metal Urbain esquecido por um bom tempo, mas a a banda acabou sendo “redescoberta” no final dos anos 90. Em parte pelo revival punk e pelo crescimento da vertente “industrial” do rock (bandas como Ministry e Big Black têm influência clara do Metal Urbain), já que o o som deles tem elementos dos dois estilos.

O interesse pelo grupo cresceu tanto que resolveram retomar as atividades e além de fazerem shows, em 2006, lançaram um CD, com o título J’Irai Chier dans Ton Vomi. O álbum de inéditas foi produzido por ninguém menos que Jello Biafra, que ainda o lançou pelo selo Alternative Tentacles.

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Na primeira fase, o Metal Urbain lançou apenas três compactos – brilhantes, diga-se de passagem. O primeiro single é de 77, com Panik e Lady Coca Cola. Apesar de cantarem em francês, conseguiram chamar a atenção na Inglaterra e, ainda naquele ano, saiu o explosivo Paris Maquis Clé de Contact, pela Rough Trade, tendo a honra de ser o primeiro lançamento daquele que se tornaria o maior e mais importante selo independente do Reino Unido nos anos 80. O terceiro, e mais conhecido, compacto sairia em 78, pelo selo Radar, também inglês, com Hystérie Connective e Pop Poubele. O único LP, Les Hommes Morts Sont Dangereux, saiu postumamente em 1981.

Não deixe de conhecer uma das mais originais bandas da história do punk mundial. Baixe aqui a coletânea Anarchy in Paris, uma compilação de tudo que eles fizeram nos anos 70.

 Curiosidades
  • O primeiro show do Metal Urbain, em dezembro de 76, acabou em uma grande confusão, já que alguns roqueiros na platéia sentiram-se insultados por algumas atitudes do grupo (anti-hippies, digamos). Após agressões mútuas a banda acabou expulsa do lugar. Brigas eram normais em quase todas as apresentações da banda em Paris.
  • Após o fim do grupo, Clode desapareceu por um bom tempo, ressurgindo das cinzas nos anos 90. Eric, Hermann e Pat fundaram o Doctor Mix & The Remix, mantendo a linha do M.U., porém com mais ênfase nos sintetizadores.
  • Eric Debris também tornou-se produtor e trabalhou com o Berurier Noir, famosa banda eletrônica.
  • Os irmão Hermann e Pat fundaram uma banda chamada Desperados. Mas o projeto teve vida curta e, enquanto Hermann seguiu no mundo da música, tornando-se um respeitado guitarrista em solo francês, Pat manteve-se longe dos palcos até 2003, quando durante uma apresentação do Metal Urbain no Canadá, saiu do meio da platéia, subiu ao palco e tocou duas músicas com os ex-companheiros. Desde então, participa esporadicamente de shows e contribuiu com algumas músicas no CD de 2006.

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