The Zeros: “el peso chicano”

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A Califórnia, para contrariedade de Trump e seus seguidores, é uma extensão do México em pleno território estadunidense. Aliás, o estado era parte do México até quase a metade do século 19. Mas isso é outra história… O fato é que a comunidade hispana exerce uma forte influência por lá, assim como naturalmente assimila outras.

A cena punk californiana já era relativamente agitada por volta de 1976-77. Entre as bandas pioneiras, o The Zeros se destacou e chegou a ser comparado aos Ramones na época, por fazer um som pesado, simples e melodioso.

No entanto, enquanto Joey, Dee Dee e seus sócios produziram várias bolachas e foram contratados por uma major, o The Zeros gravou pouco e manteve-se independente. Com Javier Escovedo na guitarra e nos vocais, Robert Lopez na segunda guitarra, Hector Peñalosa (tocou por um tempo com o F-Word e foi substituído neste período por Guy Lopez, irmão de Robert) no baixo, e Baba Chenelle na bateria, todos mexicanos ou descendentes, eles começaram em 1976 com o nome The Main Streets Brats, mas logo no primeiro show mudaram para Zeros. Bem melhor.

ZerosReza a lenda que Escovedo formou a banda para impressionar seu irmão mais velho, Alejandro, guitarrista do The Nuns. O primeiro show do grupo foi realizado em território mexicano, na cidade de Rosarito. Nos EUA, estrearam abrindo para o The Nerves, em um local chamado Punk Palace. Na mesma noite, outra banda debutava: o The Germs. Na plateia, estariam ainda membros do Damned, a primeira banda punk inglesa a tocar em solo americano.

Em vinil, o Zeros começou com o ótimo single Don’t Push me Around / Wimp, em 77, no mesmo ano lançaria Beat your heart out / Wild Weekend, com produção de Craig Leon, que na época trabalhava com Ramones, Blondie, Richard Hell, entre outros. O problema é que eles odiaram o trabalho e acabaram regravando tudo.

Depois disso, o grupo voltaria ao estúdio apenas em 1980, para gravar três músicas: They say that / Girl on the block / Getting nowhere fast, que saíram em um compacto hoje raríssimo (foram prensadas apenas mil cópias), apesar de estes sons estarem disponíveis em coletâneas. Nesse período todo, tocaram em tudo que é buraco de Los Angeles e San Francisco. Um dos pontos altos foi um show beneficente junto com o The Clash, em 1979, quando já eram um trio (Robert deixou a banda para formar o El Vez, the Mexican Elvis).

Em 81 o Zeros acabou, mas dois anos depois foi lançada a coletânea Don’t Push Me Around que reúne os singles e mais algumas músicas de demo tapes. Em 94, com a formação original, a banda voltou à ativa. Nessa fase, lançaram Knock Me Dead, um LP com regravações das músicas antigas. A seguir fizeram várias turnês e, em 1999, gravaram Right Now, um CD de covers e inéditas, muito bom, por sinal. Ocasionalmente o Zeros ainda faz shows, como a turnê em comemoração ao 30º aniversário da banda.

Baixe aqui Don’t Push me Around e conheça os “Ramones mexicanos”

Curiosidades

  • Javier Escovedo fundou o True Believers na década de 1980. O grupo chegou a ter um certo sucesso e gravou dois álbuns. No entanto, na época, apenas o primeiro foi lançado. O segundo, pela EMI teve o lançamento suspenso. Apenas em 1994, essas faixas seriam lançadas pela Rykodisk, no ótimo Hard Road. Escovedo eventualmente também se apresenta com o True Believers, como atesta esse vídeo, de 2013: http://nodepression.com/video/alejandro-escovedo-true-believers-hard-road
  • Escovedo também tem sua carreira solo, com dois álbuns muito bons. O primeiro, City Lights, saiu em 2012, e o segundo, Kicked Out Of Eden, de 2016. Uma ideia do que ele faz pode ser tirada desse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=g-gcuMP-NwM

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