A “punk-reggae party” do incrível Basement 5

basement 5

Bandas punks adotarem o reggae como uma de suas influências era até comum nos primórdios do punk. No entanto, o contrário, ou seja, músicos de reggae “cruzarem” o ritmo com o punk, não. Aliás era até bem raro.

Uma das exceções foi o Basement 5. Surgido em 1978, a banda teve uma carreira bem curta – acabou em 1981 – e lançou apenas um LP, chamado 1965-1980, e alguns compactos (também gravaram quatro músicas em uma Peel Session, lançadas posteriormente).

O flerte com o punk aparece em algumas faixas pesadas e, principalmente, nas letras que expressavam exatamente as mesmas angústias dos moleques de jaqueta preta e cabelos arrepiados. Também o envolvimento de membros com a cena punk londrina contribuiu para a ligação.

No entanto, seja pela época em que começaram ou pela co-produção de Martin Hannet (Joy Division e Magazine) no LP, há uma certa atmosfera pos-punk no som deles, talvez mais explícita que o “punk puro” (se é que isso possa existir).

Mas o que impressiona no Basement 5 é que não se tratava simplesmente de uma “colagem” de algumas partes reggae e outras punk, é realmente uma mistura. Um híbrido dos dois ritmos.

Na verdade, os Basements foram uma criação de Don Letts, figura carimbadíssima no circuito punk. Para quem não sabe ele é considerado maior responsável pela introdução do reggae no punk, quando era DJ do Roxy.

No início do lendário clube, como não haviam ainda muitos discos punks lançados, para entreter a moçada entre uma banda e outra ele rodava bolachas de reggae (sempre “do bom”, óbvio). Além disso ele produziu o seminal Punk Rock Movie, um dos primeiros filmes sobre o punk rock e fundamental para entender

O grupo nasceu mesmo após Letts receber uma verba da Island Records para produzir o disco que quisesse. Como jamais tocara qualquer instrumento, colocou alguns amigos na fita.

A primeira formação do Basement 5 tinha Winston Fergus no vocal, Leo Williams (barman do Roxy) no baixo, JR na guitarra e Tony “T” na bateria. Pouco menos de um ano após começarem a tocar, Fergus, pulou fora. Letts quebrou o galho no vocal por um tempo até surgir Dennis Morris, que assumiu o microfone definitivamente.

Basement 5 poster

Outra mudança foi na bateria, com a entrada de Richard Dudanski. Leo e JR permaneceram e com esse line up o grupo gravou 1965-1980 (apesar do título não se trata de uma coletânea, já que a banda não existia há tanto tempo). Após o lançamento o Basement durou apenas mais um ano, fez diversas apresentações (a maioria como banda de abertura) e estranhamente desapareceu do mapa para se tornar uma lenda.

Baixe aqui o LP 1965-1980 

E aqui um catadão, com a Peel Session, o primeiro single e duas faixas ao vivo

Curiosidades

  • Winston Fergus, o primeiro vocalista do Basement já gravou com verdadeiros deuses do ritmo jamaicano, como Augustos Pablo.
  • Além de excelente músico, Dennis Morris é fotógrafo e designer. Ele acompanhou os Pistols por um bom tempo e trabalhou com Bob Marley. A arte da capa do LP Metal Box, do PIL, é assinada por ele. Confira o trabalho da fera no site www.dennismorris.com
  • Don Letts e Leo Williams (amigos de longa data) ajudaram a formar o Big Audio Dynamite (B.A.D.) junto com o ex-Clash Mick Jones.
  • Richard Dudansky foi baterista do 101’ers (a banda que deu origem ao The Clash) e também do PIL.
  • No LP 1965-1980, a bateria ficou a cargo de Charlie Charles, na época, integrante do Blockheads, a banda que acompanha Ian Dury. O motivo: o batera original sofreu um colapso nervoso no primeiro dia das gravações, foi para casa e nunca mais apareceu…

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