As armas genocidas do No Alternative

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Em 1978, a explosão punk começava a esfriar para a grande mídia e a indústria fonográfica. Mas as sementes de um novo modo de agir e pensar, de lidar com a música, já havia germinado e dava seus primeiros frutos.

A indústria do show business já não era mais essencial para que as bandas de rock existissem. Ninguém precisava mais ser um “músico fantástico” para integrar uma banda. Bastava um ou mais amplificadores que funcionassem, algumas peças de bateria, alguma revolta, ter o que dizer (ou não) e a vontade de ter uma banda.

O público das primeiras bandas punks se tocou que podia também fazer o que aqueles loucos faziam. Assim, no mundo todo nascia o que seria conhecido, entre outras denominações, como “second coming”. Agora já não eram centenas, mas milhares de pequenos grupos que brotavam por todos os cantos no mundo todo, inclusive no Brasil.

O No Alternative faz parte dessa segunda leva. Pela pouca fama que conseguiram, foi “apenas mais uma”, mas pela qualidade do som que fizeram, passaram ao panteão dos “injustamente ignorados”. Originários de San Francisco, apesar da obscuridade, foram bastante ativos entre 1978 e 82, inclusive, integraram a lendária turnê Hardcore 82, ao lado do D.O.A. e do Black Flag.

O grupo foi formado por Johnny Genocide (guitarra) e Jeff Reese (baixo). Até que Greg Langston, ex-Tuxedomoon, se firmasse como baterista, passaram pela banda Bobby Barage, Andy Freeman e Chris Coonra.

As origens do trio, porém, remontam ao KGB, uma banda de curta existência que tinha, além de Johnny e Jeff, Zippy Pinhead (o mesmo que tocaria no Dils e no D.O.A.) e Ron Ramos que mais tarde participaria do ainda mais obscuro The Assissins.

O KGB não chegou a lançar nada, mas teve duas músicas incluídas na coletânea Can You Hear Me – Live at Deaf Club, disco que também continha três faixas do Dead Kennedy’s, que começava a despontar no cenário punk da costa leste dos EUA.

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O primeiro registro em vinil do No Alternative saiu em 1979, em uma coletânea de 7″ (isso mesmo, um compacto), chamada SF Underground, que além deles apresentava VKTMS, Tools  Flipper. Um disco raro e histórico. A faixa do NO ALTERNATIVE é um clássico: Johnny Got His Gun, um verdadeiro petardo, com letra engajada e uma pegada bem próxima do hardcore.

Em 1980, eles lançaram o primeiro compacto próprio, com Make Guns Not Love, Metro Police Theme e Rockabilly Rumble. Em 1982, mais uma faixa na coletânea Not So Quiet in the Western Front, um álbum duplo da Alternative Tentacles, gravadora do DK. Nessa, eles aparecem com outra porrada: Dead Men Tell No Lies. Infelizmente, sem mesmo gravar um LP, o No Alternative chegou ao fim em 1982.

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Em 1999, o selo independente Squirrel Hound reuniu todas as gravações em estúdio do grupo, inclusive algumas inéditas, mais diversos registros ao vivo e as duas músicas do KGB, além de seis faixas de um projeto paralelo de Johnny e Mike Fox (The Tools), chamado Alternative Tools, em um CD chamado Johnny Got His Gun 79-82.

Com isso, resgatou o grupo da obscuridade e ainda trouxe à luz sons inéditos. Em 2006 o grupo reuniu-se e retomou a agenda de shows, trilhando o mesmo caminho de centenas de ex-bandas. Afinal, se a molecada está faturando fazendo o mesmo (e pior) que eles faziam, porque não podem eles também morder um pouco? Só acho que nessas, o discurso se esvazia. Pelo menos fica o som…

Baixe aqui o imperdível Johnny Got His Gun

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Curiosidades

  • O nome da banda surgiu quando Johnny e Jeff assistiam a um episódio de Jornada nas Estrelas. Em uma cena Spock vira-se para o Capitão Kirk e diz “I’m afraid there’s no alternative, Jim”.
  • Johnny Got His Gun é um filme do diretor Dalton Trumbo, de 1971, sobre um soldado atingido por um morteiro no final da Primeira Guerra Mundial que perde os braços, as pernas e a visão. Na cama, no hospital, vive na fronteira entre o sonho (pesadelo) e a realidade. Um manifesto anti-guerra. Em 2008, foi lançado um remake da obra, sob direção de Rowan Joseph.
  • Após o fim da banda, Johnny retomou os estudos, formou-se em Química e Matemática Abstrata e tornou-se professor. Durante este tempo, porém, realizou, e continua realizando, inúmeros projetos musicais, sempre na linha do blues e rockabilly. Greg, por sua vez, tocou em diversas bandas, como Fang, The Next e The Insaints, entre outras. Jeff Reese, o mais reservado deles, reapareceu apenas para os shows de reunião.
  • Em 2007, Johnny Genocide teve diagnosticado um câncer no palato. Amigos e sua esposa organizaram um show beneficente para ajudar no tratamento. Participaram do evento bandas antigas, como The Mutants, The Lewd, Social Unrest, The Nesxt, The Naked Lady Wrestlers e Negative Trend. A luta de Johnny contra a doença continua, mas ele está de volta à ativa e tem gravado com nomes como Blind Orange Johnny e Jah Genocide. A luta de Jophnny contra o câncer continua.

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