Les chiens de France: The Dogs, os “pais” do punk francês

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O francês The Dogs é um dos poucos grupos não americanos ou britânicos que se destacaram nos primeiros anos do punk. E em seu país de origem faziam parte de um grupo ainda mais restrito, que reunia nomes como Métal Urbain e Stinky Toys.

O The Dogs é cria do chamado “pub rock”, que nada mais era do que o rock dos subúrbios que tinha nos pubs seu único espaço e foi a base do Punk inglês – não foram apenas Stooges, New York Dolls e Ramones que deram as coordenadas!

Por isso, o Punk não é apenas americano ou inglês, mas sim algo que “estava no ar” em meados dos anos 70 em diversos países. O “balaio” do pub rock inclui bandas como Dr. Feelgood, The 101ers, Eddie and The Hot Rods, Flamin’ Groovies, Ducks Deluxe e outros.

A história do Dogs começou em 1973. Na primeira fase tinha a seguinte formação: Dominique Laboubbé (guitarra e voz), Paul Peschenaert (guitarra), François “Zox” Camuzeaux (baixo) e Michel “Mimi” Gross (bateria). Nessa época, tocavam basicamente covers de Kinks, Flamin’ Groovies, Gene Vincent, Pretty Things e Velvet Underground, com uma pegada mais acelerada. Mas já tinham algumas composições próprias.

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Em 1976, Paul e Zox trocaram o The Dogs pela banda de Larry Martin, um cantor pop daqueles bem comerciais. Para seus lugares foram escalados, primeiro, o baixista Hughes Urvoy e, depois, o guitarrista Jean Yves Garin.

Com esta formação eles finalmente lançaram, já em 1978, um single (o primeiro independente francês!) com três músicas: Charlie was a good boy, No way e Nineteen, esta última incluída na lendária coletânea Streets, algo incomum até hoje. Afinal, ingleses e franceses não costumam se bicar.

Ainda em 78, saiu o maxi-single Go where you want to go, com cinco faixas. O primeiro LP, entretanto, só seria lançado em 1979, com o título Different. Nesse disco aparecem na capa com um visual tipicamente dos anos 60, por isso, foram tachados, erroneamente, de “mods revivalistas”.

Apesar de ser um grande trabalho e não ficar devendo para nenhuma banda da época, Different ainda não seria o melhor disco deles. O segundo LP, Walking Shadows, lançado em 1980, está entre os álbuns clássicos do Punk, com um som bem mais pesado e agressivo, sem perder a base melódica setentista. “É o lado selvagem de nossa música”, disse Dominique sobre esse álbum, em uma entrevista de 2002.

No entanto, já por volta de 1982, o Dogs começou a se distanciar do punk e tornou-se uma ótima banda de rock, com uma carreira relativamente bem sucedida, com vários compactos, participações em coletâneas e bons discos, mas nenhum tão brilhante como os dois primeiros LPs.

Inevitavelmente, passaram por várias mudanças na formação e, em 1989, restava apenas Dominique dos Dogs originais. Em 2002, depois de quase 30 anos na estrada, a banda finalmente conseguiu sua primeira turnê americana, um sonho de Dominique que, ironicamente, após o segundo show na terra do Tio Sam, adoeceu gravemente e morreu em consequência de um câncer no pulmão. Um fim trágico.

Baixe aqui Dogs Bite Back, uma coletânea com os dois primeiros compactos e algumas músicas dos dois primeiros LPS

E aqui, o histórico Walking Shadows

Curiosidades

  • O primeiro single do Dogs foi gravado no porão da casa do produtor Lionel Hermani em uma mesa de som de quatro canais. Ninguém tinha muita noção de como se fazia uma boa gravação, mesmo assim, a primeira tiragem foi vendida rapidamente e muitos consideram este o melhor compacto punk francês dos anos 70.
  • O nome do primeiro álbum deveria ser apenas The Dogs, mas por questões promocionais a gravadora exigia que tivesse um nome diferente. Na foto usada para a capa, Dominique usava um botton com a palavra “Different”, daí foi tirado o nome, simples assim, sem qualquer outra conotação.
  • O terceiro álbum do The Dogs, Too Much Class For The Neighborhood, foi produzido por Tony Platt, o cara que fez quase toda a parte técnica de Back In Black, do AC/DC.

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