Bem-vindos ao novo mundo do Condutores de Cadáver

Condutores De Cadáver

O Condutores de Cadáver é – ou foi – uma das três bandas pioneiras do punk rock no Brasil. As outras duas são Restos de Nada e AI-5.Antes desses grupos, não havia punk nas terras tupiniquins,

Tudo começou em 1978, na zona norte de São Paulo, região da Vila Carolina e Vila Santa Maria, próximas ao Bairro do Limão. Como acontecia em diversos bairros paulistanos daquela época, grupos de roqueiros (não gangues) reuniam-se aos finais de semana para ouvir um som e beber (beber muito), geralmente, rolava uma “som de fita” em locais improvisados – algumas vezes, em quintais cobertos com lonas.

Na Carolina, os amigos Callegari, Hélio e Nelsinho Teco-Teco, que moravam na mesma rua, começaram a arquitetar a formação de uma banda. Então, em uma conversa com o Índio, que fazia parte de uma outra turma, os “Ostrogodos”, nasceu o o NAI (Nós Acorrentados no Inferno), com Callegari na guitarra, Hélio no baixo, Nelsinho na bateria e Índio no vocal.

Depois de alguns (poucos) ensaios o NAI fez sua estréia. O show, em conjunto com o Restos de Nada e o AI-5, aconteceu no Construção, salão que ficava na Vila Mazzei. O local era um dos poucos que tocava rock pesado e começava a abrir espaço para os punks.

Mas a apresentação acabou sendo um desastre e eles resolveram mudar o nome da banda, com medo de que ninguém mais quisesse vê-los. Nascia então o Condutores de Cadáver, nome surgido a partir de uma letra de Índio, que falava sobre campos de concentração.

O “novo” grupo estreou em 79, já com o Clemente no baixo. Com letras incomuns, longe do panfletarismo que predominaria na cena punk nacional nos anos 80, falando sobre mortos, cemitérios, carnificinas, “vivos que não viviam”, construíam um cenário tétrico e apocalíptico, acusando a todos e recusando tudo.

Tudo sustentado por uma potente parede sonora construída por Callegari, Hélio (depois, Clemente) e Nelsinho (depois, Marcelino), com uma guitarra distorcida ao máximo e acordes básicos de duas cordas. Exatamente o que a molecada, já de saco cheio de ouvir rocks românticos e disco music, queria e precisava: punk rock visceral e autêntico.

condutoreslogoO Condutores seguiu seu caminho no inexistente mercado para bandas desse estilo. Por isso, os shows eram raros e a chance de gravar um disco praticamente nula. Paralelamente, em 1981, o punk brasileiro começava a ganhar forma e crescia, ainda que muito modestamente em relação a países europeus e os EUA, que já viviam a “segunda onda”.

Vislumbrando a chance de ocupar um espaço maior no emergente cenário punk paulistano, Clemente, influenciado pelo filme Rude Boys, do Clash, sugeriu novos rumos para a banda. Índio também, mas por outros caminhos: queria radicalizar ainda mais. No entanto, Callegari e Marcelino ficaram com Clemente e o Condutores chegava ao fim.

No lugar de Índio, entrou Maurício e o nome mudou para Inocentes. Índio montou o Hino Mortal, que fazia um som hardcore, antes mesmo de existir o termo por aqui. Começava outra página da história do punk (e do) rock brasileiro.

Sem ter realizado qualquer registro em vinil, o Condutores tornou-se uma banda lendária e assim permaneceu por 20 anos. Em 2001, porém, começava o justo resgate de quem plantou sementes poderosas e viu outros colherem frutos. Convidados a participar do festival “A um passo do fim do mundo”, que reuniu mais de 50 bandas em São Paulo, em dois dias, o Condutores ressurgia das cinzas.

Com três membros da formação original – Índio, Callegari e Hélio – mais o baterista Babão, a banda fez um show memorável. A boa recepção do público incentivou o Condutores a gravar um compacto com quatro músicas (Alta Velocidade, Choque-choque-choque, Cemitérios de Concreto e Bem-vindos ao Novo Mundo).

Até então, os únicos registros do som deles eram fitas cassete piratas, com gravações caseiras e ao vivo, editadas por pequenos selos europeus. O disco é uma raridade, pois foram prensadas apenas 500 cópias. Desde então, o grupo faz apresentações esporádicas e chegou a gravar algumas faixas para um CD, jamais lançado. Mas para ninguém reclamar, o FZ disponibiliza aqui o EP Condutores de Cadáver, mas cinco músicas que deveriam entrar no CD:

Clique aqui para baixar 9 sons do Condutores de Cadáver

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Curiosidades

  • Um dos shows lendários do Condutores aconteceu na Gruta, um dos primeiros redutos exclusivamente punk de São Paulo. Durante o show, a indiferença de alguns punks, sentados à beira do palco, de costas para a banda, irritou Índio que não teve dúvida: mijou nos caras!
  • Declarações do baixista Helinho sobre o show do Construção, ainda como NAI: “o show foi ruim de qualidade técnica e bom de empolgação. Chapei e me lembro de ter pulado como um cabrito. Acertei uma mina com o baixo e ela desmaiou no meio da platéia. Depois o namorado dela agradeceu dizendo que era uma chata. O Callegari mudou o nome da banda e me substituiu pelo Clemente. Se bem que me lembro de ter feito ao menos um ensaio como Condutores. Depois dessa fui montar o Cólera com o Redson.”
  • Índio, provavelmente, foi o primeiro moicano brasileiro e, quando estreou o novo visual, ganhou de presente de Callegari uma machadinha (roubada da cozinha de sua mãe), que o fazia lembrar um apache, ameaçando o público. Callegari se arrependeria disso mais tarde, pois o instrumento tornou-se comum entre algumas gangues punks que começavam a surgir…
  • A maior influência do som do Condutores é o Speed Twins. Por coincidência, as duas bandas fizeram músicas criticando o futebol. Mas foi coincidência mesmo, já que Football Song do ST não estava no LP It’s more fun to compete, que era o único vinil da banda holandesa conhecido por aqui…

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