Anarcoólatras, ou Anarkólatras, ou…

Dando sequência à autopromoção, vou contar a história do Anarcoólatras, minha experiência como “músico” punk. A banda foi formada mais ou menos em 1980 e acabou por volta de 1983. Os membros originais eram eu (guitarra), Alemão (vocal) e Johnson (baixo). No início, como não tínhamos aparelhagem, o Redson do Cólera deu uma grande força e aceitou dividir os ensaios de sua banda com a gente. De graça!

No segundo ensaio, nosso baterista, se não me falha a memória, chamado Matida, abandonou a banda e o próprio Redson assumiu as baquetas. Com essa formação tocamos no primeiro festival punk, no Teatro Luso-Brasileiro.

Anarkólatras
Anarkólatras, por volta de 1982

Chegamos a gravar três faixas para o Grito Suburbano, junto com Olho Seco, Cólera e Inocentes. Mas a qualidade dessas gravações não agradou e o Fábio (Punk Rock Discos), que era quem bancava o disco, decidiu que todos deveriam gravar de novo.

Nesse intervalo, o Redson, sem maiores explicações, decidiu que não tocaria mais conosco. Como não tínhamos tempo de arrumar outro batera e ensaiar, ficamos fora do disco que se tornaria um marco na história do punk nacional.

Logo depois o Theodoros, que no Grito Suburbano aparece como backing vocals do Olho Seco, juntou-se a nós. Nessa época, ficara difícil fazer shows em São Paulo, principalmente depois do festival O Começo do Fim do Mundo e de uma matéria da Rede Globo que detonou o “movimento punk”.

Um parênteses aqui: embora na época tenha feito sentido, com o tempo passei a questionar esse lance de classificar o punk como “movimento”. Isso porque entendo “movimento” como algo organizado, com direção e objetivos concretos, o que absolutamente nunca ocorreu em relação ao punk. Talvez porque seus atores, no fundo, queriam apenas fazer parte daquilo – bandas tocando, reuniões em bandos e, primordialmente, nos vestindo de um jeito bem diferente e vivendo livres pelas ruas de SP. E, claro, havia muita loucura envolvida nisso tudo. Por outro lado, o punk tinha e tem tons políticos, mas hoje vejo que sempre esteve muito longe de ser um “movimento”. Claro que respeito opiniões contrárias e até gostaria de ouvi-las.

Bom, o certo é que a repressão em cima dos punks foi violenta. Embora sem lugar para tocar, não desistimos e continuamos a ensaiar. Foi a melhor fase da banda, quando chegamos a ter um “repertório”, com mais ou menos umas dez músicas. Algumas fitas desse período devem estar perdidas por aí.

Em 1983, fui convocado para o exército e antes mesmo de iniciar o serviço militar a banda implodiu. Eu e o Theodoros ainda tentamos reerguer com o “Crispim”, ou Eclenir (irmão do Val, baixista do Cólera), na guitarra, eu no baixo e o Véia (irmão do Sartana, baterista do Olho Seco) nos vocais. Mas com minha ida para o quartel, a banda acabou de vez.

Em 1995, o Ratos de Porão gravou Os Ratos – nossa singela homenagem à PM paulistana – no LP Feijoada Acidente. Uma honra. E me fez ouvir como eu deveria tocar…

Infelizmente, só tenho alguns ensaios e os três sons que entrariam no Grito Suburbano, que podem ser baixados no link logo abaixo.

Baixe aqui o barulho do Anarcoólatras

EM MEMÓRIA DE JOHNSON, THEODOROS, REDSON E VÉIA.
DESCANSEM EM PAZ, AMIGOS.

 

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